Como Estudar para Concurso: Dicas

Como passar em concursos?

Até ter um diploma de ensino superior, são normalmente necessários 15 ou 16 anos de estudo, sendo 8 no primeiro grau, 3 no segundo grau, e geralmente 4 a 5 de ensino superior, e mesmo assim, não há garantias de estabilidade financeira, dessa forma o candidato deve ter em mente que 1 ou 2 anos a mais de estudos para se ter um maior salário e estabilidade durante o resto da vida não é praticamente nada.

O caminho de concursos públicos vale ainda para profissionais que não se encontraram em sua área de formação. Há vários casos de dentistas e médicos que abdicaram da profissão para trabalhar como, por exemplo, auditor fiscal da Receita Federal, há ainda alguns destes que continuaram a exercer sua profissão de formação em dias específicos da semana.

Grosso modo, em concursos públicos, o candidato só tem 2 possibilidades, ou é aprovado, ou desiste no meio do caminho, não existe possibilidade de se continuar estudando e não ser aprovado. A seguir, algumas dicas que podem ajudar a encurtar esse tempo de preparação.

Dicas para passar em concursos

1) Planejar (e cumprir) os horários de suas atividades

A primeira ação do candidato deve ser a montagem de um planejamento diário de atividades, incluindo os finais de semana. A primeira coisa que deve ser incluída neste quadro são as atividades essenciais, como trabalho e aulas. O próximo passo é alocar horários para a realização de atividades de exercício físico e mental, como por exemplo, uma simples caminhada, ou ainda programas como teatro, praia ou cinema.

Existe um grande equívoco por parte de grande parte dos candidatos, que ao iniciarem os estudos para concursos, abdicam de atividades de lazer, quando estas na verdade podem servir como um combustível para os estudos. Eventualmente poderão ser feitas adaptações, por exemplo, ao invés de 3h de exercícios na academia de ginástica, reduzir esse tempo para 1h, e ainda reduzir os dias da semana para ir à academia, por exemplo, ao invés de ir todos os dias, ir 3 vezes na semana. Essas atividades são importantíssimas para a minimização do estresse e a maximização do rendimento. Os horários restantes poderão então ser alocados para estudo.

O candidato deverá dedicar o máximo de tempo possível aos estudos, porém, respeitando suas necessidades e seus limites. O ideal é criar uma rotina bem definida de estudos, pois dessa forma, o organismo acabará se acostumando a estudar naquele determinado horário.

É ainda mais importante, que esses horários sejam devidamente cumpridos, se o candidato se propôs a, por exemplo, toda segunda-feira estudar Direito Constitucional, ele deverá se policiar para toda semana o fazê-lo.

2) Estudar diariamente disciplinas diferentes

Não deve-se esperar uma matéria terminar para começar a estudar outra, como a prova é multidisciplinar, é muito importante todos os dias estudar diferentes disciplinas.

3) Priorizar o estudo de disciplinas onde se tenha menor domínio e disciplinas de maior peso

Um dos maiores problemas dos concurseiros é dedicar a maior parte do tempo de estudo para disciplinas as quais já estes já têm algum conhecimento, em detrimento de matérias em que há uma defasagem mais acentuada. O indicado é alocar essas matérias de maior domínio para serem estudadas em períodos de revisão. Dessa forma, supondo que uma pessoa estude em torno de 4 horas por dia, 3 delas devem ser dedicadas para assuntos que o candidato tem um menor domínio, e a hora restante para revisão da matéria que o aluno já tem alguma intimidade, isso poderá ser realizado em um processo cíclico, e com o avanço gradual, irá chegar um momento em que o candidato irá estudar apenas 1 hora acerca de disciplinas em que tenha um menor domínio, enquanto que as horas restantes serão dedicadas para revisão.

Durante a preparação é importante priorizar as matérias de maior peso, dessa forma teoricamente garante-se mais pontos na prova, porém, as disciplinas de menor peso não podem ser esquecidas, até porque uma questão a mais ou a menos poderá fazer muita diferença no final das contas.

4) Começar o estudo pelas matérias em que tenha maior dificuldade

O candidato deverá começar sua preparação pelas matérias em que tem menor afinidade, para não correr o risco de, com a aproximação do concurso, não ter suficiente para se preparar adequadamente para essas matérias.

5) Resolver exercícios de provas anteriores e simulados

Um dos maiores segredos do estudo eficiente para concursos é a prática de exercícios, principalmente se o tempo de preparação for curto, o indicado para esses casos é ter um bom livro como referência e resolver muitos exercícios, e a cada erro, buscar mais sobre a resolução daquela questão em específico, não utilizando o material de teoria como um livro de história, lendo-o do primeiro ao último capítulo.

A resolução de exercícios e provas anteriores é uma excelente forma para a fixação de conteúdo, e podem mostrar ao aluno à maneira de como aquilo que ele está estudando poderá ser solicitado na prova.

Também é importante que o candidato realize simulados, principalmente aqueles onde são divulgadas as correções, essa é uma maneira de condicionar o candidato a realizar provas até o concurso.

6) Ter foco

Um dos maiores erros por parte dos candidatos é realizar o chamado “zigue zague”, que é quando se estuda para diversos concursos de áreas diferentes ao mesmo tempo, por exemplo, num certo período o candidato estuda para a Polícia Federal, em outro para o BACEN, e no restante para o TJ. Fazendo isso, o candidato acabará estudando para um núcleo de matérias infinitamente maior do que se estivesse estudando para uma área específica.

Se, por exemplo, for observado que as matérias de Língua Portuguesa, Raciocínio Lógico, Informática, Direito Constitucional e Direito Administrativo estão presentes em concursos de uma determinada área, o candidato estará estudando para diversos concursos ao mesmo tempo, e saindo o edital de algum deles, por exemplo, do Tribunal Eleitoral, resta estudar mais o Código Eleitoral, se o do TRT, deve-se focar em Trabalho e Processo do Trabalho, para a Polícia Federal, deve-se estudar Noções de Direito Penal, Processos e Código de Trânsito, dentre outros. E em caso de sair um concurso que não tenha nenhuma dessas 5 matérias, e ainda tenha várias matérias específicas, o aconselhável é que o candidato não preste tal concurso.

7) Ler o edital

Muitos candidatos se esquecem de verificar a partir do edital os requisitos e o cronograma do concurso. É muito importante se informar acerca das datas do concurso, por vezes, o candidato necessitará de uma eventual isenção, além de conhecimento acerca das datas em que serão divulgados os resultados, prazo para entrega de documentos etc.

8) Ir fazer a prova mesmo não tendo realizado uma preparação adequada

Para candidatos que se inscreveram em um concurso e não realizaram uma preparação adequada, é indicado que façam a prova para sentir na pele o nível de sua dificuldade, o ambiente em geral e o tempo para a resolução das questões, em suma uma situação totalmente diferente de estar tranquilo em casa fazendo um simulado.

Entrevista com especialista na preparação para concursos

A seguir entrevista de Iaroslau Sessak Junior, auditor fiscal que primeiramente iniciou sua carreira fiscal trabalhando no ICMS de São Paulo, e depois seguiu para a Receita Federal. Sessak dá aulas em cursos preparatórios há mais de 25 anos, além de ser autor de livros para concursos.

O que mais marcou sua vida para deixar a engenharia e optar pelo concurso público?

Iaroslau: Me vi desempregado numa fase importante da minha vida profissional, e procurando emprego, tomei conhecimento da alternativa oferecida pela carreira pública, e percebi as inúmeras vantagens da carreira pública, como estabilidade, na época também havia a aposentadoria integral, e a possibilidade de um trabalho interessante, conferindo a possibilidade de desenvolvimento profissional ao longo da carreira, e por conta dessas vantagens resolvi optar pelo concurso público. Inicialmente, prestei concurso para o cargo de Agente Fiscal de Rendas para o Estado de São Paulo, que exerce a fiscalização tributária, e depois de 6 anos no cargo, então prestei concurso para auditor fiscal da Receita Federal, cargo que exerço já há mais de 20 anos. Depois que passei em meu primeiro concurso, comecei a lecionar em cursos preparatórios e dar palestras orientativas.

Você acreditava na seriedade dos concursos? E quais as primeiras dificuldades que você teve para começar a candidatar-se a emprego público?

Iaroslau: Como o estudo demanda bastante tempo, esforço e gastos, antes de começar a me preparar fui me informar sobre a seriedade dos concursos públicos, dessa forma conversei com pessoas que exerciam cargos públicos e pessoas que trabalhavam em cursos preparatórios, e a conclusão que cheguei foi que na esmagadora maioria das vezes os concursos são sérios e idôneos, porém, como em toda atividade humana, eventualmente podem haver falhas e fraudes. Costumo comparar a seriedade dos concursos com a dos vestibulares, até porque muitas das instituições que realizam concursos são as mesmas que realizam os vestibulares, como por exemplo, a Vunesp e a Fundação Carlos Chagas. Nos principais cursos preparatórios para concursos do país, os próprios professores podem apontar quem serão os alunos serão aprovados de uma turma, e na maioria das vezes são os que estão mais preparados. Quando assumimos o cargo, normalmente devemos passar por um treinamento antes de começar a trabalhar, estes treinamentos em grande parte das vezes são realizados novamente dentro da sala de aula, e em alguns casos podem chegar até 3 meses de aula, com o convívio entre os alunos aprovados, pode-se perceber que eles realmente conhecem o conteúdo que caiu na prova, e ali tem-se a comprovação de que estes realmente não conquistaram sua aprovação por acaso, não havendo fraude no concurso. Também no dia-a-dia da nossa carreira profissional, pode-se perceber que as pessoas realmente conhecem acerca de seu trabalho, e estão ali por merecimento próprio. Além do que quando há problemas, na grande maioria das vezes, estes são descobertos, e os concursos são refeitos.

A matéria que mais cai em concursos fiscais são relacionadas à Direito, e uma grande curiosidade é que o maior número de aprovados não é mais composto por advogados, e sim por engenheiros e profissionais de outras carreiras da área de exatas. Na sua opinião, a que se atribui essa diferença, ou seja, como essas pessoas conseguem excelentes resultados numa carreira que aparentemente não tinham afinidades?

Iaroslau: Grande parte das matérias exigidas nos concursos fiscais são também da área contábil, e alguns candidatos se perguntam se terão condições de serem aprovados tendo em vista que não são dessa área, ou por conta das matérias de Direito, se os advogados irão levar maior vantagem. O que eu tenho respondido, pela experiência adquirida em todos esses anos trabalhando com concursos, é que os aprovados em concursos são os candidatos que melhor se prepararam para estes. Grande parte dos concursos não exige uma formação específica, e dessa forma, o candidato poderá estudar matérias de direito e contabilidade, por exemplo, mesmo não tendo uma formação que contemple mais a fundo essas matérias. Isso ocorre também porque o que cai nos concursos é uma teoria básica acerca das matérias, no caso dos advogados, por exemplo, existe toda uma parte prática que não cai nas provas de concursos. Desde que a matéria seja bem ensinada, na sequencia correta, é plenamente possível aprendê-la, como qualquer outra.

Em sua opinião, qual é o maior desafio enfrentado por uma pessoa que inicie sua caminhada frente aos concursos públicos?

Iaroslau: Como falei, não existe uma formação que leve plena vantagem na preparação para concursos, o maior desafio é a qualidade da preparação executada pelo candidato, que exige tempo e dedicação, e aqui existe o problema da falta de tempo rotineira, de forma que a pessoa precisará alocar espaços de tempo em sua vida destinados ao estudo, já que costumeiramente o volume de matéria pedido nos concursos é extenso, além do que o candidato também deverá ter disposição e motivação para estudar, e principalmente, ter disciplina para manter sua rotina de estudos até que seja aprovado. Uma frase bastante usada no meio dos concursos é “você não estuda para passar, você estuda até passar”.

Uma das grandes preocupações de quem irá realizar um concurso é acerca do desafio, por exemplo, a matéria geralmente é bastante extensa, e uma grande quantidade de tempo de estudo é necessária para absorvê-la de forma adequada. Em toda sua experiência com concursos difíceis, quanto tempo você dedicou aos estudos e como conseguiu vencer esse desafio?

Iaroslau: No meu caso, como estava desemprego, e decidi não buscar emprego, tinha todo o tempo para estudar, e estudei muito, até porque o concurso que eu iria prestar acabou sofrendo um atraso em sua realização, e como eu estava dedicado apenas a isso, o meu caso é diferente do que ocorre com a maioria das pessoas, que continuam com seus empregos, e procurar alocar tempo para o estudo concomitantemente aos seus afazeres. É um grande desafio ter disciplina para manter essa carga horária de estudos sem desanimar, e então quando a pessoa consegue desenvolver uma técnica eficiente de estudos, ela consegue otimizar o aproveitamento de seu tempo.

Se uma pessoa lhe perguntasse: “o que pode me garantir sucesso na busca pela carreira pública?”. O que você responderia?

Iaroslau: Não existe uma garantia de aprovação, mesmo seguindo determinados passos, apesar de que geralmente quanto mais se estuda, mais se aprende, e não existem casos de pessoas que estudassem cada vez mais e aprendessem cada vez mais menos. A medida que a pessoa vai estudando, ela vai gradualmente aumenta seu conhecimento, até que em um determinado momento, ela já sabe o suficiente para ser aprovada em um concurso. Além do que existem grupos de concursos semelhantes em termos de conteúdo, por exemplo, o curso de fiscal tem de 75% a 80% da matéria igual para todos os concursos, de forma que a pessoa que se prepara para um determinado concurso, não está se preparando apenas para ele.

Você aconselha largar o emprego para se dedicar exclusivamente a preparação para os concursos?

Iaroslau: Não, apesar de grande parte das vezes a pessoa não estar com um emprego que a agrade, acabo não dando esse conselho, pois se a pessoa apostar todas as suas fichas no concurso público, ela passará a sentir uma responsabilidade muito grande para obter a aprovação, seja por estar gastando suas reservas econômicas, seja por receber pressão principalmente por parte de sua família, e por vezes isso pode até acabar atrapalhando seu desempenho em sua preparação e na hora de fazer a prova. O ideal é a pessoa continuar trabalhando, e planejar sua vida para que possa ter tempo para se preparar adequadamente para concursos.

Qual quantidade de tempo de preparação para um candidato atingir bons resultados? Quantas horas de estudo por dia, e os cursos que você fez ajudaram na obtenção de sua aprovação?

Iaroslau: Em todo tempo de preparação que tive, assisti a aulas em cursos preparatórios para concursos, em nenhum momento deixei de frequentá-los, e acho que isso foi muito importante para a minha aprovação, apesar de não ser um fator fundamental, de forma que uma pessoa poderá estudar sozinha em sua casa, bastando para isso ter apostilas e livros, porém, geralmente nesses casos, demanda-se uma maior quantidade de tempo para se obter a aprovação, além de uma maior quantidade de esforço gasto, tendo em vista que na maioria dos casos a pessoa não estará recebendo uma orientação adequada. Com relação ao tempo que se leva para ser aprovado em um concurso, é algo muito relativo, e dependa prioritariamente da capacidade de aprendizagem de cada indivíduo, além do conhecimento que este já tem adquirido, e uma série de outros fatores, mas, em média, uma pessoa normal, com uma capacidade normal de aprendizagem, e estudando cerca de 2 horas por dia, 6 dias na semana, e mesmo exercendo outras atividades no restante do tempo, para concursos de exigência de segundo grau completo, levaria aproximadamente 10 meses até obter sua aprovação, enquanto que para concursos que exijam nível superior, um tempo razoável de estudos seria em torno de 2 anos, porém, deve-se frisar que esse é um valor médio.

Quais são os grandes concursos oferecidos no país, ou seja, aqueles para os quais vale muito a pena se preparar?

Iaroslau: Isso depende de cada pessoa, apesar de que, para os candidatos com ensino superior, os concursos mais procurados são os da área fiscal, tanto na esfera municipal, estadual ou federal, com cargos que oferecem salários iniciais que ultrapassam na maioria das vezes R$ 10.000,00 por mês, além de concursos policiais, como para agente e delegado da Polícia Federal, papiloscopista. Já para candidatos com segundo grau, os mais procurados são na área judiciária, como técnico judiciário e oficial de justiça, e também os concursos bancários, englobando principalmente Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, que oferecem em torno de R$ 4.000,00 a R$ 5.000,00 de salário inicial.

Que conselhos você daria a um candidato que está se preparando para concursos públicos?

Iaroslau: A primeira coisa que o candidato deverá fazer é se informar sobre os concursos que existem, são muitas opções, e depois tirar informações sobre os concursos previstos, quais são as matérias que caem, os salários e como é o dia-a-dia dessas carreiras, para assim poder direcionar sua preparação. Outra coisa importante é a pessoa não desistir, se prestar o primeiro concurso e não for aprovado, ela deverá continuar estudando. Muitas pessoas acabam se arrependendo, anos depois, de terem desistido da busca pela aprovação nos concursos públicos. Os concursos e as matérias se repetem, de forma que se o candidato continuar estudando, cada vez ele estará mais perto de seu objetivo final.

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