Pegadinhas em Concursos Públicos

Pegadinhas em concursos

As pegadinhas aparecem em praticamente todas as provas para concursos, e de um modo geral, pode-se afirmar que existem 2 tipos de questões: as comuns e as com pegadinhas, a primeira reserva-se apenas à testar o conhecimento do candidato, de uma forma simplificada: ou ele sabe a resposta ou não, já a questão com pegadinha é aquela que contém algum elemento em sua estrutura para induzir o candidato ao erro. Estatisticamente cerca de 80% das questões são comuns, e as restantes são pegadinhas. Todas as maiores bancas, sem exceções, usam pegadinhas.

Tendo em vista que candidatos despreparados têm grande probabilidade de errarem tanto questões comuns quanto pegadinhas, o objetivo das pegadinhas é diminuir o número de acertos justamente dos candidatos que estejam melhores preparados, pois há chance do candidato ter pleno conhecimento acerca do tema da questão e mesmo assim vir a errá-la por conta da pegadinha.

Do ponto de vista das instituições que promovem os concursos, as pegadinhas podem ser interessantes, pois como o número de candidatos é geralmente muito superior ao de vagas, para a instituição é fundamental que o maior número de candidatos seja eliminado na prova, sobrando apenas os mais bem preparados.

Tipos de pegadinhas

Apesar das pegadinhas aparecerem com formas distintas, existe um padrão em todas elas, por exemplo, considere uma pegadinha numa questão de direito processual civil e uma outra em informática, aparentemente uma não tem nada a ver com a outra, mas a maneira com que o autor tenta induzir o candidato ao erro pode ser exatamente a mesma em ambas as questões.

De maneira geral, pode-se definir um número limitado de estruturas para as pegadinhas, sendo possível classificá-las em:

  • Pegadinhas de detalhe: são aquelas que figuram em questões com enunciados normalmente longos. Elas se escondem em trechos curtos e aparentemente sem importância, e por conta disso podem passar despercebidas e levar o candidato ao erro, afinal de contas, esses detalhes compõem justamente a chave da pegadinha.
  • Pegadinhas de escolha a mais certa: dadas determinadas opções de respostas, 2 , 3 ou até todas as alternativas podem estar corretas, apesar de que apenas uma delas estará mais correta e completa do que em relação às outras, dessa forma, o candidato poderá identificar acertadamente, por exemplo, a alternativa “a” como sendo correta, marcá-la e já partir para a próxima questão, quando uma outra alternativa, por exemplo a “c”, poderá estar ainda mais correta.
  • Pegadinhas de senso comum: existem certas palavras que estamos acostumados a usar em nosso cotidiano, mas que em numa determinada área de atividade podem assumir outro significado, de cunho mais técnico. No Direito, por exemplo, isso é muito comum, considere, por exemplo, o termo “intempestivo”, que em Direito expressa algo que esteja fora do prazo de realização, como na seguinte frase: “o advogado entrou com recurso intempestivamente”, nesse caso a tentativa de entrar com recurso foi realizada num período fora do prazo de direito, porém, no senso comum, a palavra intempestivo é utilizada com sentido semelhante a termos como “bruto” e “abrupto”. Esse tipo de pegadinha é uma das que mais caem em questões de Direito.

Matérias que mais caem pegadinhas

O exame psicotécnico é uma disciplina em que sua própria essência é a pegadinha. Quase toda questão de exame psicotécnico tem pegadinhas. A matéria que dá mais condições para criação de pegadinhas é a Língua Portuguesa, apesar de que as disciplinas de Direito também normalmente têm muitas pegadinhas.

Exemplos de pegadinhas

Um exemplo típico de estrutura de pegadinha alude à questão de “o que é o que é”, a pergunta é a seguinte: “quantos animais de cada espécie Moisés colocou na arca?”.

Para responde-la, a pessoa é induzida a pensar em um determinado número, por exemplo, se 1, 2 ou 3 animais, porém, essa pergunta não tem sentido, tendo em vista que não foi Moisés quem colocou esses animais na arca, e sim Noé.

Esse mesmo tipo de estrutura pode aparecer em questões de concursos, considere uma questão de Direito Civil que tenha o seguinte enunciado:

“2 pessoas celebraram um contrato, e o pagamento por esse serviço seria em dólar, posteriormente houve um desentendimento entre essas 2 pessoas e, na Justiça, surgiu a dúvida: o pagamento deveria ser efetuado baseado no câmbio do dia em que a sentença foi lavrada ou pelo câmbio da data de celebração do contrato”.

Enquanto alguns candidatos poderão ater-se à data do câmbio, essa pergunta novamente não tem o menor sentido, visto que a Lei proíbe a celebração de contratos normais de serviço em dólar, salvo casos especiais.

Como identificar pegadinhas em concursos?

Apesar da concorrência nos concursos ser geralmente grande, não se pode afirmar ser necessário que o candidato estude especificamente como identificar pegadinhas, até porque há milhares de pessoas que passam em concursos sem ter toda essa técnica e conhecimento, apesar disso, o estudo da estrutura das pegadinhas pode também ser importante para quem busca uma aprovação, de modo que os candidatos que têm a capacidade de identificar pegadinhas possuem certamente uma maior vantagem competitiva.

A medida que são resolvidas questões sob a análise da ótica das pegadinhas, independente de qual seja a disciplina, desenvolve-se inconscientemente a habilidade de identificação dessas pegadinhas, diminuindo assim a probabilidade de vir a errar a questão.

Deve-se lembrar que não adianta o candidato estudar acerca das técnicas de pegadinhas, se não tiver conhecimento acerca da disciplina tratada, dessa forma, o ideal é estudar primeiramente o conteúdo da matéria, e se sobrar tempo, sobre a estrutura das pegadinhas.

Para não ficar com a paranoia de enxergar pegadinhas em todas as questões, a melhor dica é estudar adequadamente o conteúdo da matéria.

Uma dica para quem estiver interessado em desenvolver a habilidade de identificar pegadinhas, esta a qual só é adquirida com a prática de exercícios, é adquirir o livro “200 pegadinhas de Direito Constitucional e Direito Administrativo”, de Eric Savanda.

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